24.3.15

Na morte de Herberto Helder


Os poetas não morrem, dizem.
É um lugar-comum.
Morrem, sim, ou melhor, deixam a vida,
devolvem  à matéria a sua voz
que só em gravações se pode ouvir,
extemporânea.
É que a polissemia engana
e quero ser exacto.
Nos livros não se vive,
o que ficou escrito escrito fica,
e a vida que lhe deu o sopro foi-se embora.
O poeta não diz mais nenhum verso seu.
Ouvem-no os sobrevivos
e  pensam escutar a voz que se calou.

© Nuno Dempster
 
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