Hoje liguei um blogue que já vem de outros blogues meus entretanto falecidos por tédio. A este acrescentei Mudandanças e C.ia, O Sol quando Nasce, Caminhos da Memória e Volumen (para que o Insónias se completasse). Também desliguei um. Penso que, para se ser tão taxativa e sobranceiramente certo, é preciso não errar, o mesmo é dizer que não erre quem, etc.
15.11.08
Movimentos
Hoje liguei um blogue que já vem de outros blogues meus entretanto falecidos por tédio. A este acrescentei Mudandanças e C.ia, O Sol quando Nasce, Caminhos da Memória e Volumen (para que o Insónias se completasse). Também desliguei um. Penso que, para se ser tão taxativa e sobranceiramente certo, é preciso não errar, o mesmo é dizer que não erre quem, etc.
12.11.08
Esquinas

O que é a blogosfera. Uma pergunta. Podia responder é um tagarelar sem fim das classes médias, abrangendo a proletária de hoje, definição em que me incluo, não estou a safar-me do que afirmo. Tanto me dá. Contudo, hoje prefiro dizer é uma urbe só com esquinas. Esquinas de surpresa, esquinas electivas, esquinas-parlatórios, esquinas de bocejar, esquinas de trepar, esquinas onfálicas, esquinas de gato por lebre, esquinas para rapidinhas, nunca mais acabaria com elas se não tivesse em mente, com este post, chegar a um determinado tipo de esquina, onde criaturas escrevem ao espelho, coçando-se, como se a esquina fosse o tronco de um carvalho.
2.11.08
Jorge de Sena, n. em 1919
CAFÉ EM CRETA COM JORGE DE SENA
Em Creta, com o Minotauro,
sem versos e sem vida (…)
Jorge de Sena
Nada é simples, porque, ao contrário
de Sena, o Minotauro
atormenta-te em casa.
Mesmo no acto da paz mais alheada,
que é estarmos deitados a ver as estrelas,
os urros dele ecoam-te no peito
e logo te levantas inquieta,
com receio de seres devorada.
Quem poderá lutar contra a realidade?
Talvez por isso Sena tenha visto
o Minotauro
e se tenham tornado amigos.
Talvez eu devesse ir a Creta
tomar café com ambos
e, longe dos teus medos, longe já de ti,
muito perto de ver perder-se o chão
e tudo quanto tenho, remexer o café
com o dedo de um deles, para que conheça
breve o gosto do exílio sem regresso.
Ou será que tu mesma me acompanhas?
Tu, eu, o Minotauro e Sena,
os nossos dedos
a remexer o açúcar do café,
todos juntos e nada mais havendo,
senão falar de Creta a que chegáramos.
© nd, Dispersão.
30.10.08
Sublinhado
17.10.08
Areia
29.9.08
Teatro de Robertos
A atitude do Congresso norte-americano face ao plano Paulson é apenas circunstancial e não de fundo. Não houvesse eleições a pouco mais de um mês, e o plano de "salvamento" seria aprovado. Agora é o próprio Obama que o promete, como se a sua execução dependesse dele, de McCain ou do Congresso. Areia para olhos cegos. Teatro de robertos.
É a democracia, stupid!
Na Europa, o grupo Fortis será nacionalizado parcialmente, com os impostos não se sabe se apenas dos contribuintes belgas, holandeses e do Luxemburgo, se da EU toda, cujo banco central esteve presente nas negociações com os bancos centrais de cada um dos países intervenientes.
O mesmo já tinha sucedido com o Bradford & Bingley, na Grã-Bretanha.Uma vez recuperados, os grupos financeiros voltarão à mesma classe invisível e omnipresente para colher então os lucros.
É caso para pensar se, saindo da sombra em que governa, o poder financeiro não está a desvelar de vez o seu domínio e a garantir à vista de todos a retenção dos lucros e a cobertura dos prejuízos, à custa dos impostos da “gente reles”, como os senhores da Roma Antiga chamavam àqueles que trabalhavam para sobreviver.
Mas só precisará disso em alturas de crise como a de agora. Em tempo de paz seria contraproducente. Oculto das maiorias, orientará com mais proveito os governos democraticamente eleitos. É um pulo até se desvendar o mal no sistema político que congeminaram, a democracia dita representativa e a sua liberdade, que a guarda pretoriana de polícias e exércitos profissionais tolerará até ao limite de a outra liberdade, a liberdade do poder económico-financeiro, ser posta seriamente em causa.
23.9.08
Garnisé16.9.08
13.9.08
Prémios
O épico lusitano do século XX recebeu o prémio D. Dinis. Cavaco compara-o a Camões e Pessoa. Como se diz daqueles que não sabem a figura que fazem?11.9.08
10.9.08
referências desdenhosas ou, no mínimo, paternalistas, a quem aspira a escrever mais do que apenas notas pessoais num caderno digital. É um desejo legítimo, muito para além da qualidade ou da falta dela, e tão legítimo como cada um escolher os blogues que visita. E se juntarmos a esta atitude, uns posts abaixo, a de louvaminhar o que é medíocre mas brilha, temos então rato escondido com o rabo de fora. Ou seja, temos alguém que não é capaz de banir sentimentos turvos, decorrentes da falta de lucidez acerca de si próprio, passe o eufemismo.Convite
- Poesia e Tradução, publicada por Edições Sempre-em-Pé, convida a assistir à apresentação da nova poesia de Turim e do Piemonte .A introdução será feita por Gonçalo M. Tavares. Estarão presentes os poetas Tiziano Fratus e Francesca Tini Brunozzi, e alguns dos tradutores.
Na altura, o editor apresenta o novo número (n.º 14) da DiVersos, no qual estão incluídas quatro vozes da poesia turinense, Francesca Tini Brunozzi, Luca Ragagnin, Tiziano Fratus e Valentina Diana, além de outros poetas traduzidos de outras línguas e originais inéditos de poetas em português. Serão ditos poemas na língua original e em tradução.
9.9.08
das colinas de S. Stefano
Cesare Pavese faria hoje cem anos. Sou pouco dado a efemérides e menos
ainda a lembrar-me das suas datas, e esta descobria-a no Henrique Fialho. Encontrei-me com Pavese na juventude adolescente e o ambiente da sua ficção marcou-me para sempre, como que de forma congénita porque eu já existia nele. O mais que pude fazer para lhe agradecer foi ter estudado italiano, lido tudo o que há para ler dele e escrito um poema longo, com o seu nome por título, que começa assim:
Quando eu me alimentava da luz
que o fluir melancólico das palavras
trazia das colinas de S. Stefano
e me abria esse mundo ao meu
que em mim guardava, lendo-nos aí,
nas águas do meu rio que gerara
quadros do Piemonte na outra banda (…)
A pantera de Dante é outra
Esfinges em supermercados
Há uns anos já, "tive" uma Tatiana assim. Era de carne e osso, como Tatiana talvez seja. Chamei-lhe Mari Consuelo. Um dia desapareceu do supermercado de fronteira onde trabalhava. Perguntei por ela e pelo nome. Se casó, se llama Rosa. Moral da lembrança: nunca perguntes nada sobre esfinges, que logo se tornam humanas e vulgares. Dela só me ficaram uns versos indirectos:
Mari Consuelo
Terás de ver um dia Consuelo,
como os seus olhos são lindos
e como riem jovens quando passo.
Nem sequer imaginas os cabelos dela:
são quase iguais aos teus
e os sonhos que é possível ter com eles.
Depois, sabes, está próxima,
vejo-a todas as quartas-feiras
a arrumar as estantes do supermercado.
Se um dia namorarmos,
decerto não será por ser parecida
com aquela que já foste,
e se vier falar-me de alma como tu,
dir-lhe-ei a alma não existe,
é coisa de mulheres românticas,
pois não quero ver a dela
perder-se como a tua que não tive.
© nd
8.9.08
Uma questão de bifes
Jorge de Reis Sá Reis-Sá (com tracinho), industrial e comerciante de livros por grosso, dá aqui uma curiosa receita para o "bife" de um escritor de horas vagas que queira tornar-se escritor a tempo inteiro. Mas sai tudo tão espartilhado, dirão, que até parece coisa militar. No entanto, para a promoção do livro que o escritor terminou, JR-S é um mãos largas. Três meses, pois então. Sem receber mais por isso e ainda tendo de inventar uns biscates por fora. Senão que vá para pedreiro, como diz, e que escreva nos tempos livres.
Não se faça caso desse bife, deve ser de filet mignon, é uma carne deslavada e, além disso, parece vir com as inevitáveis batatas a murro. De resto, dir-se-ia ser mais a cenoura da história do burro do que aquilo que se vê.
Se apetecer um bife a alguém nessas condições, deixo aqui um bem melhor. O molho é de queijo da serra e o que se vê a nadar nele são míscaros. À direita, polme de tomate assado; por cima, rúcula. Esse alguém vai ver que não precisa de trabalhar de borla. Porque tem de o pagar com as suas mãos livres, e não custa nem um milésimo do outro. Dou a receita a quem a pedir.

7.9.08
O deus SE
em vez de metermos por outra e existimos porque, há mil anos, um tetravô nosso se cruzou com uma moura que gemeu sob ele, engravidou e pariu o nosso tetravô seguinte, e antes o mesmo com os tetravós deles. Até onde? Nós sabemos, todos sabemos isso: até ao primeiro ovócito humano fecundado, há dois milhões de anos mais umas centenas de milhar. Se então esse ovócito e o espermatozóide que o buscava não se tivessem encontrado, nenhum de nós existiria. O acaso é mais forte que o mais poderoso dos deuses que se tenha imaginado. E muito mais desconfortável. E é deste desconforto que as divindades nasceram, sossegando as perguntas tornadas heréticas e a noção honesta e lúcida do absurdo dos nossos comportamentos e da ignorância do nosso próprio tamanho.31.8.08
Aquele Querido Mês de Agosto
nagens reais. Apeteceu-me escrever o guião depois de ver o filme, seguindo a irreverência que é a montagem, a mistura de todos, personagens, reais, de ficção e membros da equipa técnica, e a metamorfose definitiva do documentário em filme.Uma das suas marcas é a ironia que roça a ternura, obtida por cenas de opostos, como logo a abrir o cantor pimba a dizer João de Deus e depois a cantar a sua canção de letra primária (e até a escolha de João de Deus e do poema tem que se lhe diga); a cena da raposa e dos garnisés; a banda da terra a tocar, a ouvir-se aquele fungagá antigo, enquanto
préstimo, até que saiu dela o cartaz de uma Nossa Senhora, não sei qual, há muitas, o mais certo era ter sido o da padroeira, aplaudida pelos fiéis off que a esperavam.Uma outra situação de prazer de realização, e também nosso, que assistíamos, foi a a participação dos técnicos do filme no próprio filme, o realizador, o director de produção (que viria a assumir o papel de chefe da banda pimba), o de som e depois, todo o staff técnico, pessoa a pessoa, a intervir, enquanto o seu nome e função surgia no ecrã, num final de uma irreverência deliciosa.

Detesto contar filmes e não vou fazê-lo, mas tenho de dizer que tudo se passa nas serras de Arganil, em Agosto, com um povo ainda pouco tocado pela globalização (ou dela escondido), com figuras que nos apaixonam de tão simples e reais, no meio da festa omnipresente, cantigas pimba, bailaricos, amores, vinho, cerveja, coisas antigas que ainda vivem.
Tudo isto na sessão das 21 h, num cinema de oito salas da cidade onde moro. Comigo, estavam mais sete pessoas na sala, três rapazolas comedores de pipocas e dois casais de namorados, que tinham cara de ter procurado ali refúgio para o tédio. Hoje é comum Portugal ter a arte que merece, com as honrosas execpções de que Sena falava. Desta vez não a mereceu. Pelo menos a cidade, nessa sessão. Éramos oito, e resta-me saber quantos viram o filme.
Não o perca, claro. Fica-se agarrado desde o princípio por tão subtil simplicidade. Foi o único filme português presente no Festival de Cannes deste ano, na Quinzena do Realizador, embora este facto para mim não queira dizer nada ou quase nada, mas isso é já outra coisa.








