
Vejo no Da Literatura que Maria Teresa Horta saiu pela esquerda baixa com um volume de 850 páginas. Pelo menos evitou as escadas de serviço do show off. E no que respeita a poesia, o vinho tem dessas coisas.
em que juntei a minha poesia, e transcreve um poema onde os dois nos encontrámos. E a propósito deste verbo, é difícil imaginar, através do ecrã, como serão as pessoas que escrevem no lado oposto ao de quem as lê. Um dia, não há muito, depois de anos de vizinhança na blogo, fui até à realidade conhecê-lo. Foi com alegria que os meus olhos e ouvidos o confirmaram como do mundo que também habito e onde preferia viver sempre. Porque quem se fez dele, passada a fronteira, será sempre um estrangeiro, quantas vezes em guerrilha nesse terreno armadilhado.
ão sei se alguém um dia terá feito um poema comigo dentro. Se isso sucedeu, nunca o soube. Daí a surpresa ao ler o belo poema de Fred Matos, de S. Salvador da Baía, em que estou nas palavras que fui escrevendo. Saravá!
pleta, o que me agrada, talvez por estar sempre perto de nós e por o projecto ser um acto de coragem, além do mais que o motivou. Veja aqui.
Quando partires, em direcção a Ítaca,Se ao longe imaginares Ítaca,
que a tua jornada seja longa (...)
Konstantinos Kavafis



deixei de pensar que o fazia, objectivamente, por excesso de auto-estima, por atitude de pose levada ao extremo, tornando-se, de ricochete, uma forma eficaz de promoção própria. Agora, aos 78 anos, parece colher os frutos da clausura, não sei se por a vida ser curta. Chama-se a isto borrar a pintura ou raspar o palimpsesto patético em que se tornou. Ou ainda acabar mal, se bem tivesse começado. O Prémio Pessoa recusado em 1994 evidencia a contradição em que agora se meteu, com este barulho no mercado livreiro. Depois de A Faca não Corta o Fogo, o Ofício Cantante, um a seguir ao outro. Se houvesse anjos, todos eles teriam pés de barro ― há homens e os seus pés, o que vai dar ao mesmo.
marcha, passava pouco das nove da noite, mas não escutaria a obra toda. Não a conhecia. Agora tenho de ir por ela. Uma obra-prima de grande fôlego, monumental, do nosso tempo, bebendo na memória da música, uma leve ressonância de Mozart e inesperados mergulhos no passado remoto de sinos e cantochões. A primeira audição da obra, encomendada a Messiaen pela Gulbenkian, foi no Coliseu de Lisboa, em 1969. Levou cerca de quatro anos a compor, de 1965 a 1969. A direcção da versão que escutei é a que me dizem ser a que melhor traduz o compositor. Foi Reinbert de Leeuw quem conduziu o Coro da Rádio Flamenga e o Coro e a Orquestra Filarmonica da Rádio Holandesa. Dois coros. Cem vozes. Impressionante .
Cópia da aguarela de Audubon O Falcão a Atacar Perdizes, 1827