Há 3 horas
uês tem armadilhas q.b. para sermos sempre apanhados. Quero referir-me a esta frase equívoca. Tanto pode dizer respeito ao êmbolo como ao embolar, e embolar porque a coisa não merece o verbo fornicar, etc. Neste caso, como sempre fui hetero, trata-se do verbo embolar, para o qual o demonstrativo aquilo remete. Feita a rectificação, considero reposta a minha honra machista, salvo seja.
, é dedo. É que no Renascimento não existiam ainda anarquistas, embora não seja despiciendo imaginar que David houvesse tido por modelo um efebo de Michelangelo Buonarroti.
e, logo a seguir, a conhecer a água das pedras holandesa. Oxalá esta inconfidência seja do conhecimento do governador civil e do arcebispo de Braga, porque isto se passou antes da adesão de Portugal à CE e depois do Tratado de Roma, e agora que somos partícipes (ia escrever membros) de pleno direito, a actualização da moral e dos costumes impõe-se tanto ou mais do que o neoliberalismo e a obsessão papagaiesca do deficit, que rapidamente se adoptaram como virtude e apenas servem para nos lixar os miolos.
aparentemente, e quero com isso significar que a disciplina da gestação da escrita de Amadeu Baptista já o faz, quando o pensamento, atravessando a memória em estado de subconsciência, define com clareza o que e como está a ser dito no momento. Trata-se pois de uma escrita consciente e controlada, em que está programada, como exigência e necessidade, a vontade expressa de inteligibilidade da linguagem.
te, apenas uma questão de escolhas formais, fundamentadas no tempo em que surge face à época de que descola (e de que evolutivamente Amadeu Baptista vem, mas isso é outro assunto). É também, por um lado, o testemunho humano do seu tempo; por outro, o tratamento dos temas que conformam a condição humana, manifestada desde os sinais primitivos que contiveram a sua expressão e realidade. E – tão visível neste livro - é também vibração, intensidade, encadeadas num sábio registo coloquial, ritmo, prosódia, descrição fílmica de imagens da realidade que nos suscitam, de outro modo, o que a poesia exige de si mesma: alcançar o âmago da sua própria humanidade, ao dizer mais do que as palavras, por si só, seriam capazes. E, ao contrário do que li algures, é uma poesia que, a comprovar a superficialidade de aí se ter julgado prosaica, ganha em ser dita ou lida em voz alta, resgatando assim o carácter primeiro da poesia, que é ser ouvida, agora já não em paços e salões, mas em lugares públicos onde ela é dita e no complexo contemporâneo das artes performativas.
em que juntei a minha poesia, e transcreve um poema onde os dois nos encontrámos. E a propósito deste verbo, é difícil imaginar, através do ecrã, como serão as pessoas que escrevem no lado oposto ao de quem as lê. Um dia, não há muito, depois de anos de vizinhança na blogo, fui até à realidade conhecê-lo. Foi com alegria que os meus olhos e ouvidos o confirmaram como do mundo que também habito e onde preferia viver sempre. Porque quem se fez dele, passada a fronteira, será sempre um estrangeiro, quantas vezes em guerrilha nesse terreno armadilhado.
ão sei se alguém um dia terá feito um poema comigo dentro. Se isso sucedeu, nunca o soube. Daí a surpresa ao ler o belo poema de Fred Matos, de S. Salvador da Baía, em que estou nas palavras que fui escrevendo. Saravá!
pleta, o que me agrada, talvez por estar sempre perto de nós e por o projecto ser um acto de coragem, além do mais que o motivou. Veja aqui.
Quando partires, em direcção a Ítaca,Se ao longe imaginares Ítaca,
que a tua jornada seja longa (...)
Konstantinos Kavafis



deixei de pensar que o fazia, objectivamente, por excesso de auto-estima, por atitude de pose levada ao extremo, tornando-se, de ricochete, uma forma eficaz de promoção própria. Agora, aos 78 anos, parece colher os frutos da clausura, não sei se por a vida ser curta. Chama-se a isto borrar a pintura ou raspar o palimpsesto patético em que se tornou. Ou ainda acabar mal, se bem tivesse começado. O Prémio Pessoa recusado em 1994 evidencia a contradição em que agora se meteu, com este barulho no mercado livreiro. Depois de A Faca não Corta o Fogo, o Ofício Cantante, um a seguir ao outro. Se houvesse anjos, todos eles teriam pés de barro ― há homens e os seus pés, o que vai dar ao mesmo.
marcha, passava pouco das nove da noite, mas não escutaria a obra toda. Não a conhecia. Agora tenho de ir por ela. Uma obra-prima de grande fôlego, monumental, do nosso tempo, bebendo na memória da música, uma leve ressonância de Mozart e inesperados mergulhos no passado remoto de sinos e cantochões. A primeira audição da obra, encomendada a Messiaen pela Gulbenkian, foi no Coliseu de Lisboa, em 1969. Levou cerca de quatro anos a compor, de 1965 a 1969. A direcção da versão que escutei é a que me dizem ser a que melhor traduz o compositor. Foi Reinbert de Leeuw quem conduziu o Coro da Rádio Flamenga e o Coro e a Orquestra Filarmonica da Rádio Holandesa. Dois coros. Cem vozes. Impressionante .
Cópia da aguarela de Audubon O Falcão a Atacar Perdizes, 1827