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7.6.10

Niconor Parra




Escute o poema e acompanhe aqui a tradução, e não deixe de ler todas as traduções de poemas de Nicanor Parra que têm vindo a ser postas, da autoria de Henrique Fialho.

27.2.10

Uma conferência há meio século e quatro anos


A propósito da sua recensão no Público acerca do livro O Formato Mulher, de Anna M. Klobucka, baseado na tese de doutoramento da autora, penso que Eduardo Pitta deveria ter referido Jorge de Sena e a sua conferência sobre Florbela Espanca nos Fenianos, Porto, em 1946 (1). Serviria para cotejar ideias com as da novel autora, tanto mais que Eduardo Pitta já citara a dita conferência neste post e portanto sabia dela, muito embora, na brevidade de um só período em que se lhe refere, dê não só uma ideia errada do que Sena proferiu então, mas também não aborde o essencial dessa conferência, que é precisamente o que O Formato Mulher sugere e a recensão confirma.

Entretanto, Eduardo Pitta obteve ontem o Prémio Especial Jornalista ou Imprensa de Edição, na sua qualidade de crítico literário, entre um conjunto de prémios atribuídos pela Revista Ler e pelos consultores Booktailors.

(1) - Ver Estudos de Literatura Portuguesa - II, Jorge de Sena, p. 29 a 45, e nota bibliográfica, p. 313 e 314, Edições 70, 1988.

23.2.10

Tradução de poesia




O Trapézio, sem Rede e Mudanças & Cia são dois blogues exclusivamente de tradução de poesia. Ambos estão há muito nas ligações à direita. Como não há duas gotas iguais, segundo dizem, vejamos as diferenças entre ambos:

- O Mudanças & Cia parece ter ressuscitado de um longo sono de cinco meses, depois de, imediatamente antes, ter dormido meio ano. O Trapézio, sem Rede dorme pouco e tem tanto de actividade quanto o Mudanças & Cia tem ou teve de hibernação.
- Este blogue é colectivo de dois; aquele, individual.
- O Trapézio apresenta em geral poetas não tão conhecidos como o como os do Mudanças, o que pode ser um ponto a favor. Ou não. Depende do tipo de leitor.
- Não têm poetas em comum.
- O Mudanças traduz do inglês e do castelhano, tal como o Trapézio, mas ainda acrescenta o francês e o italiano.
- O Mudanças faculta os poemas na língua sobre que traduz, o Trapézio devia fazê-lo. Em vez disso, remete para a obra e respectiva página. O Mudanças não o faz, talvez por incluir o original que serviu à tradução.

Tendo em conta o ponto acima, o Trapézio parece traduzir bem. Do Mudanças pode dizer-se com segurança que o faz com qualidade, num tempo em que as traduções sabem vezes de mais a aviltamento.

8.2.10

O post corrigido





Talvez por João Rasteiro fazer parte, julgo eu, de um projecto híbrido chamado "Oficina de Poesia", é que fui deparar, no seu Centro do Arco, com a minha notícia devidamente corrigida, três dias depois de eu a ter publicado aqui. O meu prosear em texto alheio vai a negrito imediatamente abaixo.

Acaba de sair o livro Divina Música, Antologia de Poesia sobre Música, organizada pelo poeta Amadeu Baptista, com capa e paginação de Inês Ramos, comemorativa do 25.ºAniversário do Conservatório Regional de Música de Viseu (1985-2010), em edição deste mesmo conservatório, com patrocínio da Proviseu - Associação para a Promoção de Viseu e Região. Esta antologia, onde tenho o prazer de estar incluído, acolhe cento e trinta poemas de outros tantos poetas de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde e Timor-Leste, onde constam quase todos os nomes "mais importantes" da poesia portuguesa contemporânea. O trabalho de Amadeu Baptista e Inês Ramos resultou num belo e mesmo luxuoso volume de 188 páginas e num livro com poemas de grande qualidade. Parabéns a ambos e especialmente ao Conservatório de Música de Viseu.

Esta última correcção de João Rasteiro parece querer imputar-me o pecado da ingratidão. Mas não o cometi. Tive a oportunidade de dar os parabéns aos promotores da antologia num óptimo jantar, que agradeci, em que até fui o escanção e aconselhei o vinho (Vinha Paz, 2006) e em que elegi, para mim, vitela assada à moda de Lafões, cuja receita muito recomendo a quem gostar de faenas culinárias. Quanto às outras correcções, não as comento.

30.6.09

Conexões e desconexões



Limpei a lista de blogues realmente encerrados e de outros que encerrei porque estavam encerrados para mim, e fui escolher, com o cuidado de um gourmet, os que encontrei mais a meu gosto.

Sem ordem nenhuma:

Tempo Contado
Hospedaria Camões
Um Homem das Cidades
O País do Burro
Caderno de Poesia

E, last but not least, o reaparecido e por mim antes muito andado

Dias com Árvores

e o excelente

O Leitor sem Qualidades

que, por embirração do feed, não dá actualizações e ficou no honroso último lugar da lista, honroso porque às vezes os últimos são os primeiros.

12.2.09

Fred Matos


Não sei se alguém um dia terá feito um poema comigo dentro. Se isso sucedeu, nunca o soube. Daí a surpresa ao ler o belo poema de Fred Matos, de S. Salvador da Baía, em que estou nas palavras que fui escrevendo. Saravá!

15.1.09

Clique
























(e. e. cummings)

Aqui, aqui (ler comentários), e aqui não desista, leia tudo. E se escreve poemas só com minúsculas como e.e. cummings (1894-1964) ou como valter hugo mãe (1971), portanto nascido setenta e cinco anos depois, e sete a seguir à morte do poeta que tinha, além de outras, aquela atitude estética então de vanguarda, de coisa nova com o seus custos, se está neste caso das minúsculas não se enerve, leia até final. É de outro assunto que se trata, embora com poesia pelo meio.

1.12.08

Tatiana


De Le Amiche, de Antonioni, 1955, adaptado de Tra Donne Sole.

Tatiana lembra-me as personagens femininas de Pavese. Só porque exerce sobre mim uma curiosidade melancólica que não satisfarei, tal como as de La Spiaggia, de La Bella Estate ou de Tra Donne Sole não satifariam Pavese, e talvez também por essa razão as tenha criado.

16.9.08


Memorial do Convento, encenação de Filomena Oliveira, Mafra, 2008.

Aos oitenta e cinco anos José Saramago apareceu na blogosfera. Leia-se a delícia que é esta entrada. Apetece-me dizer que a qualidade e a lucidez são um par sempre jovem.

9.9.08

Esfinges em supermercados


Há uns anos já, "tive" uma Tatiana assim. Era de carne e osso, como Tatiana talvez seja. Chamei-lhe Mari Consuelo. Um dia desapareceu do supermercado de fronteira onde trabalhava. Perguntei por ela e pelo nome. Se casó, se llama Rosa. Moral da lembrança: nunca perguntes nada sobre esfinges, que logo se tornam humanas e vulgares. Dela só me ficaram uns versos indirectos:

Mari Consuelo

Terás de ver um dia Consuelo,
como os seus olhos são lindos
e como riem jovens quando passo.
Nem sequer imaginas os cabelos dela:
são quase iguais aos teus
e os sonhos que é possível ter com eles.
Depois, sabes, está próxima,
vejo-a todas as quartas-feiras
a arrumar as estantes do supermercado.
Se um dia namorarmos,
decerto não será por ser parecida
com aquela que já foste,
e se vier falar-me de alma como tu,
dir-lhe-ei a alma não existe,
é coisa de mulheres românticas,
pois não quero ver a dela
perder-se como a tua que não tive.

© nd

 
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