Mostrar mensagens com a etiqueta Pulytika. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pulytika. Mostrar todas as mensagens

24.1.11

Presidenciais e a "democracia adulta"

O jogo eleitoral está viciado porque os princípios são uns e os fins são outros. O arranjo está feito para que mudem as moscas e o mesmo permaneça. Cavaco Silva e Sócrates ganharam as eleições, Cavaco porque teve mais votos, Sócrates porque arrumou Manuel Alegre, tal como fizera a Mário Soares nas eleições anteriores, e os quatro nunca deixaram de concordar com a urdidura do sistema de que Mário Soares foi, em Portugal, o tecelão-chefe.

Periodicamente, nas eleições, vira-se a casaca sem se mudar de cheiro e, como a casaca é só uma, umas vezes fica laranja, outras, cor-de-rosa, casaca pois de direito e avesso. O “povo”, diria que tratado com maior despudor que o da 1.ª República, escolhe, entre o laranja e o rosa, o lado da casaca que o há-de pastorear.

Nos media, tudo parece estar conforme. Essa nova raça, a dos politólogos, escamoteia cuidadosamente a realidade, a grande maioria escrevendo e falando em percentagens, assim ocultando a crueza dos números, que é esta:

Número de eleitores inscritos: 9.629.630
Votos em Cavaco Silva - 2.230.140
Votos em Manuel Alegre (*) - 832.006
Soma dos votos no sistema: 3.062.146

Os restantes votos expressos são votos de protesto: os votos recebidos pelos demais candidatos, os votos em branco e uma parte dos nulos. A abstenção funciona ainda como protesto, e também como demonstração de desinteresse, que não exclui a contestação abúlica, isto sem esquecer, claro, o Simplex dos cartões de cidadão, a que não poucos se agarram, como se isso fosse mudar alguma coisa.

O certo é que os votos nos candidatos do sistema representam 31, 8 %, menos de um terço, dos eleitores inscritos, e Cavaco Silva foi eleito por 23,16 % dos portugueses com direito a voto. Esta é a “democracia adulta e consolidada” de que o candidato presidente falava na sua campanha.


(*) O apoio institucional do Bloco de Esquerda à candidatura de Manuel Alegre deveu-se à busca de visibilidade. Saíram-lhe as contas furadas, e isso já serviu para pagar parte desse só aparente desconcerto.

1.4.10

KO = OK

Julgo que seja incómodo a blogueiros da "especialidade" congratularem-se com comportamentos como o de Morais Sarmento. O mesmo sucede aos "taxonomiólogos" da política. Andam com dois sacos no cérebro: um diz esquerda; outro, direita, sem saberem com clareza o que está dentro deles. Fora dos sacos, é o caos, o politicamente incorrecto, a desobediência civil.

Este texto foi escrito por mim, nos comentários do Meditação da Pastelaria, a propósito de uma entrada sobre a audição daquele ex-ministro do PSD pela Comissão de Ética da Assembleia da República, depois de inquirido, a propósito do caso TVI, por Manuel Seabra, na imagem, deputado do PS .

Veja-se a que monos este país está entregue. Não quero deixar de dizer que, não tendo nunca pertencido a esse naipe, prefiro gente de direita civilizada, como Nuno Morais Sarmento, a medíocres de esquerda ou ditos de esquerda, fingidos, ineptos, trampolineiros e outros adjectivos que o tempo não sei se confirmará.

28.9.09

Síndroma de Berlusconi



O Alberto João, eleito pela enésima vez imperador da Madeira, disse, com aparente razão, que o povo português devia estar doido, ao ter votado num fulano que anda metido em casos, foi mais ou menos assim, pelo menos é este o sentido de uma declaração sua à TSF, feita já hoje. Esqueceu-se de que com ele sucede, psicologicamente, o mesmo. O "povo" - que é isso de "povo"? - que votou no Alberto João é o mesmo que votou no Sócrates e no Berlusconi. Parte desses eleitores é cúpida, escolhe-os como modelo sonhado para as suas vidas medíocres, tal como gostaria de ser padrinho da Máfia (assunto de largo culto); outra é burra, muitos são oportunistas e, vá, admito que haja gente sincera e honesta, sim, mas clubisticamente invisual, surda e tartamuda.

Veremos agora não poucos flick-flacks e pinos em S. Bento. O "povo" que os elegeu é que se lixa, e lixa-se com toda a justiça, enquanto as metástases dos epizoários, na sequência dos séculos, se vão aproximando do Tesouro Público cheio de dívidas. É bom que assim seja, porque alguém se ri dos patifes e dos parvos, embora se duvide bastante de que nada adianta, de que a atávica maneira lusa de estar mude algum dia. É mais fácil o país desaparecer enquanto tal do que os rómulos e remos de pechisbeque largarem as tetas do animal, a que, de boca cheia, todos esses chamam nação.

26.9.09

Eu sei que a vida está difícil


Fotografia tirada na Cervejaria Trindade, de autor desconhecido.

Mas não era preciso transformar o Da Literatura na trombeta semi-oficial do projecto privado do eng. Sócrates. O blogue mostra a foto que aí roubei e que parece dizer o óbvio. O tempo vai para berluscões e berlusquinos e para as meninas e rapazes que adejam à volta deles. Eduardo Pitta é o primeiro do género masculino, ao lado da mão direita do engenheiro. De braços cruzados, pois então. Tal como o companheiro a seguir, tão sorridente e com os dentes a alvejar tanto que logo me lembraram os do dr. Portas. O que vale é o povo adorar que o lixem, e nada há de mais legítimo.

9.9.09

Bandeiras




Li nos Realistas de Portugal, via Facebook, a exortação que Paiva Couceiro fez aos contra-revolucionários monárquicos em 1919, da qual transcrevo o ínicio.

«Soldados !
«Tendes diante de vós a Bandeira Azul e Branca! Essas foram sempre as cores de Portugal, desde Afonso Henriques, em Ourique, na defesa da nossa terra contra os Moiros até D.Manuel II mantendo contra os rebeldes africanos os nossos domínios em Magul, Coolela, Cuamato, e tantos outros combates que ilustraram as armas portuguesas.(...)»

Assim como assim, bandeira azul e branca, preferia a do Dragão. Como benfiquista céptico, o sapo a engolir seria menor. E sempre dava mais gozo vê-la hasteada na varanda municipal de António Costa do que a retrógrada monárquica, suponho menos maléfica que a do MRPP. Mas são todos bons rapazes, primos uns dos outros, uns com coroa, outros com foice. Sucede que a estes deu para a foice, e só por isso é que fiaria mais fino alçarem-na na varanda da proclamação da República.

6.9.09

Os pragmáticos

O que eu não entendo é como, em consciência, se pode ir votar no PS do agora mansíssimo Sócrates (também Eduardo Pitta se mostra já mais brando na propaganda em que urgentemente vinha). Porque quem vota no PS de Sócrates & Cia, devia votar no PSD. A coisa é a mesma e mais clara, e, em desfavor do PS, Sócrates precisa, pelo menos, de parecer sério tal como Cornélia, a mulher de Júlio César. Disse que não entendo. Mas entendo, sim, ou não conhecesse o pragmatismo socialista: sob a palavra pragmatismo cabe tudo, da demagogia arrivista ao governo mais à direita desde há trinta e cinco anos. Depois somos um país cujos eleitores se assemelham, em boa parte, aos fãs da clubite do futebol, com 1.ª, 2ª e 3.ª divisões. Outros votam como se comprassem marcas anunciadas na TV. Se pelo menos reparassem nas caras abúlicas e idiotas, estampadas em tantos cartazes.

11.8.09

Escravatura simplex


Ilustração de Maqamat d’Al-Hariri, manuscrito do séc. XIII. Mercado de escravos de Zabid, Yemen.

Não sei o que dirão os do Simplex e os da prima do Simplex, mais o sobrinho de ambos, e acima desses todos, no coruto da árvore pulytiológica , o Eng.º Sócrates e o seu belo aparelho, entenda-se, nomenclatura. Se há escravos em Portugal para trabalhar a terra, é porque isso é tolerado pela máquina pública, que tem um responsável, uma atitude de governo e um partido maioritário. Como querem que um tipo com consciência política leve a sério a palhaçada dessa gente rumo a S. Bento? Qual democracia, qual %$#=()@£=8! Rómulo-remozinhos de barro pintado a mamar nas tetas da loba exangue.

4.8.09

Cada vez mais do mesmo














Pelo menos, podia ser hipócrita.

Claro. O engenheiro da marca Simplex não tem nada a ver com isto. Nem com o IRC mais baixo por que a banca é taxada.

A palavra povo é uma abstracção romântica? É. E um engodo? Também.

28.7.09

As desventuras da propaganda

A marca Simplex tornou a surgir, agora com algum chinfrim e não sei se outra grafia (parolamente simbólica). Eduardo Pitta, reconhecido activista de Sócrates e cada vez mais defensor do indefensável, parece ter-se indignado por não haver surgido ainda o vídeo da sessão de esclarecimento, sessão feita para a blogoesfera, passe a sinédoque, pelo engenheiro das casas da Guarda. Creio que a Eduardo Pitta falta algum calo político: corre o risco de ficar à espera desse vídeo para lá das eleições de 2017. Entretanto, li, no blogue da dita marca, que a transmissão quase em simultâneo de tão honroso evento, via Sapo, ficou-se pela mira técnica. Apetece-me ajudá-los com uma frase publicitária:

Tudo é simples com Simplex

7.6.09

Nada de ilusões

Ando a ler, entre outros, o livro Amantes dos Reis de Portugal, que aconselho (um trabalho sério, que merecia estar bem escrito). Vou ainda na Idade Média, a entrar no reinado de D. Fernando, passada uma série de casamentos de poder e uma inumerável soma de mulheres de todas as castas. A História não regista os gemidos delas e os roncos reais, mas os nomes e favores de doação e herança de povoações, propriedades e direitos que receberam em troca. E lembrei-me, pela inalterada natureza humana, do excerto abaixo, parte de um texto que me veio parar às mãos. Tem um ambiente tão medieval como o que vou lendo naquela obra. O texto está assinado por José Ricardo Costa. Se há factos nele confirmáveis, há outros que desconheço se o são ou não. Digo isto para os devidos efeitos, que voltamos a olhar em redor, a ver se algum bufo está a ouvir-nos.

"Um bom símbolo da nossa miséria é o casamento entre a filha de Dias Loureiro , amigo íntimo de Jorge Coelho, e o filho de Ferro Rodrigues , amigo íntimo de Paulo Pedroso , irmão do advogado que realizou a estúpida e milionária investigação para o Ministério de Educação e amigo de Edite Estrela, que é prima direita de António José Morais, o professor de José Sócrates na Independente, cuja biografia foi apresentada por Dias Loureiro, e que foi assessor de Armando Vara, licenciado pela Independente, administrador da Caixa Geral de Depósitos e do BCP, que é amigo íntimo de José Sócrates , líder do partido ao qual está ligada a magistrada Cândida Almeida, directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, que está a investigar o caso Freeport, caso onde se tem evidenciado um presidente da Eurojust de seu nome Lopes da Mota que, por um acaso da vida, auxiliou essa indefectível democrata e grande defensora do poder local chamada Fátima Felgueiras. Felizmente que este país tem como ministro da Justiça um Alberto Costa que, a não ser aquela questão das pressões sobre um juiz em Macau, há cerca de 20 anos, pouco ou nada tem feito. A bem da pasta de que é ministro, claro."

21.5.09

A propósito do que aí vem



O Sócrates lusitano, e não só ele, deve estar a contar com o que se lê no poema abaixo, um poema com dois mil e seiscentos anos. E eu também, mas a minha vontade é inversa à do estadista. Vão ver que nem Berlusconi lhe chega aos calcanhares.

DEMOCRACIA

Esmaga com o teu pé o povo insensato, fere-o
com a ponta do aguilhão e põe-lhe na cabeça um jugo pesado.
Entre os homens que o sol do alto contempla, ninguém acharás,
de facto, tão amigo da escravidão como o povo.


Teógnis, in Antologia da Poesia Grega Clássica, tradução e notas de Albano Martins, Portugália Editora.

24.3.09

Para alguma coisa se é advogado


em proveito próprio. Este está a tentar livrar-se dos companheiros. Isso não se faz. Depois - lembro - não há sentença proferida. E a Justiça, garantem-me, é a estátua ao lado, já do tempo do Ballet Rose e de muito antes. Maioria absoluta! - berremos como badanas.

22.3.09

Pouco tolos —


diria Sancho Pança de Durão Barroso, de Vital Moreira e de Zita Seabra. O primeiro, vindo do MRPP, parece ter garantida a reeleição para o cargo, pelo qual deixou nos braços de Santana Lopes um bebé com novecentos anos; vindos do PC, o segundo (trans)mudou-se de bagagens e linguajar para o PS e não tarda está em Bruxelas; e a terceira, atulhando-se ainda mais (?) à direita , mandou à fava a vanguarda da classe operária, fez-se deputada do PSD e, segundo a revista Ler, que cita o Expresso, agora vai abrir uma livraria que "privilegiará o público elitista". Gente linda.

28.2.09

Maioria absoluta para o

camarão de Espinho, mais conhecido por camarão da costa, mas sem o Costa por perto. Ainda faz um caril com eles, e são muitíssimo melhores cozidos só com água e sal.

24.2.09

Courbet e Buonarroti

Eu, que em Florença não reparei nas medidas de David, fizeram-me reparar mais tarde no tamanho do membro daquele que iria vencer Golias, qualquer coisa como o meu polegar, que não é membro, é dedo. É que no Renascimento não existiam ainda anarquistas, embora não seja despiciendo imaginar que David houvesse tido por modelo um efebo de Michelangelo Buonarroti.

De qualquer modo, por essa época, praticava-se, na escultura, o culto inverso das monster de que cedo, na juventude, dei conta em Amesterdão, ali para os lados das Red Lamps, onde a polícia é muito mais despudorada que a de Bracara Augusta, e onde uma loira aguentava qualquer coisa parecida à coisa negra de um burro.


Isto não é racismo e não se escandalizem. Não só estive o tempo de apenas ver três ou quatro viagens do êmbolo, como também fiquei a saber o que aquilo resultava em mim e, logo a seguir, a conhecer a água das pedras holandesa. Oxalá esta inconfidência seja do conhecimento do governador civil e do arcebispo de Braga, porque isto se passou antes da adesão de Portugal à CE e depois do Tratado de Roma, e agora que somos partícipes (ia escrever membros) de pleno direito, a actualização da moral e dos costumes impõe-se tanto ou mais do que o neoliberalismo e a obsessão papagaiesca do deficit, que rapidamente se adoptaram como virtude e apenas servem para nos lixar os miolos.

28.12.08

Afinidades electivas




Eu diria que é o poeta do ano e da nação. Veja-se só o olhar dele a perscrustar-nos o além-alma, como diria Mário de Sá-Carneiro - o além-alma lusitano, digo eu. Camões, Garrett, Pessoa, e Manuel Alegre directo, no TGV, sem parar em mais nenhum nome.

(...)Triolets, villanelles, rondels, rondeaus,

Seeds in a dry pod, tick, tick, tick,

Tick, tick, tick, what little iambics,
While Homer and Whitman roared in the pines.
Edgar Lee Masters, in Spoon River Antology

Quanto ao engenheiro de aviário, saiu-nos um Perón de pechisbeque, e a Evita dele só pode ser a ministra malfadada. Como a maioria silenciosa é burra, vamos gramá-lo mais quatro anos.

Isto foi, em parte, o que o hmfb apontou. Temos ainda, acrescento eu, o herói internacional do ano, Muntader al-Zaidi, e a agilidade do grande inimputável, que muitos apoiaram e agora se apressam a sacudir dos ombros, como na anedota: Xô! bicho de um cabrão, onde houveras de poisar!

De resto, está tudo bem, salvo o tempo de hoje e o que os meteorologistas da crise nos prometem para os anos que aí vêm.

20.11.08

Caridadezinha outra vez




















Desenho de Arthur Rackham, 1907

O presidente da câmara desta cidade, onde vivo exilado por força dos meus erros e suas consequências, disse hoje à TSF que vai abrir aqui um restaurante social. De repente, vi-o empresário como o da Byblos e só depois é que percebi que a casa não era dele, mas dos contribuintes do concelho e da Misericórdia. Um restaurante para que 120 vítimas da crise que não causaram pudessem ter, nesta cidade, uma refeição por dia. Como os cães.
 
Free counter and web stats