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19.8.12

Fora do texto



Falei de Pedro e Inês tão decantados,
escrevi sobre exemplos deste tempo.
Mudaram-se os costumes. Porventura
poderá divergir também Inês,
mais que Pedro em seu modo, adivinhado
num príncipe selvagem a galope.
Contudo, isso pertence a quem se pôs
a imaginar humanos, a moldá-los,
circunscrevendo o mito à luz do dia
por mão das personagens que engendrou.

Era para ter entrado, para ter sido o poema final de Pedro e Inês: Dolce Stil Nuovo. Não entrou porque a poesia não se explica, ou melhor, explica-se se nos perguntarem o que queremos dizer com isto ou com aquilo que escrevemos, e é bom que saibamos responder sem subterfúgios. Para bom entendedor, etc.

Nuno Dempster

6.10.11

Prémio Nobel

Agora, sim, é que há condições para se publicar neste país a poesia de Tomas Tranströmer em livro a solo. Até hoje não.

TORMENTA

De súbito o caminhante encontra aqui o velho
carvalho gigante, como um alce mudado em pedra
com a larga copa frente à força verde negra
do mar de Setembro.

Tormenta do norte. É o tempo em que as sorvas
amadurecem. Desperto ouve na obscuridade
as constelações estampadas
no mais alto do carvalho.

Tomas Tranströmer, tradução da casa a partir do castelhano.

23.6.11

Arrumações
















































Clique na imagem para ler melhor


Na longa arrumação e monda dos meus livros, que terminei anteontem, fui encontrar este Cafuso. Deve ter vindo no afluente de alguma herança. Dá-lo nunca o daria, mas também não foi parar ao lixo. Arrumei-o e agora está entre Húmus e O Homem sem Qualidades. Um insulto? Nem por sombras. Raul Brandão e Robert Musil tratarão dele, até eu não ser deste mundo nem do outro e alguém me fazer a vontade que deixei escrita, como se pode ler na imagem.

Mas quem foi Reis Ventura? Salazarento militante, perdeu o nome há muito, mas ficou para sempre como vencedor do primeiro prémio Antero de Quental, promovido pelo Secretariado Nacional de Propaganda, em 1934. O segundo lugar, arranjado à pressa face aos protestos, foi ocupado por Fernando Pessoa, com Mensagem.

3.6.11

Poesia #5



Se eu escrevesse um poema, digamos assim, como o que passo a escrever,

as minhas mãos rasgam as pedras
na geografia da noite
e o pólen cai nos lagos de todos
os naufrágios,
instalou-se a gramática
do verbo
no meio da paixão,
sopro frio
que não te deixa levar de mim.
morremos
executores do gesto
aleatórios
e as árvores gritam
salvai-os
em direcção às estrelas
ocultas no basalto dos dias.

teria de pôr, na boca de um imaginário entrevistador, as seguintes questões para meu uso exclusivo, porque todos são livres para mim, menos eu.

- Sabe explicar o que escreveu, tintim por tintim?
- Nem por alto, quanto mais por miúdos.
- Usou a subconsciência para o escrever?
- Não.
- Se pusesse as palavras todas dentro de um copo de póquer, as jogasse na mesa e as dispusesse pela ordem da mais longe para a mais perto, faria diferença?
- A ordem arbitrária seria outra.
- E o sentido?
- Que sentido?
- Vamos por outro lado. Que me tem a dizer sobre a polissemia em poesia?
- É um direito do leitor.
- E seu?
- Enquanto leitor, é claro que é.
- E quando escreve?
- Para mim então é um dever não ter esse direito. Tenho que saber o que digo.
- A poesia não é mistério?
- Não é mistério nenhum. E depois não estamos em tempo de mistérios nem de vestais do puro, como dizia o poeta.
- Então voltamos à poesia engajada?
- Qual engajada, qual carapuça. Engajada com a lúcida consciência do mundo, isso, sim, e com a beleza possível e os assuntos eternos da poesia, nas circunstâncias do nosso tempo.
- Não se zangue.
- Não me zango. Trago-lhe até, se quiser, uma harpa com cordas de astros e, enquanto a tange, a ninfeta dança na neblina dos serralhos do mar.
- Muito obrigado pela harpa, fica para depois.Tenho de me ir embora. Talvez volte.

30.4.11

Da autopromoção


Nicolas Poussin, Parnaso, óleo sobre tela, 1630.

Nenhuma ambição de se fazer fotografar ao lado de Camões ou de Eliot por parte de poeta hoje vivo ― acontecimento da esfera do fantástico para ser exibido urbi et orbi ―, nenhum saltitar de festival em festival e de mesa em mesa, nenhum extenso linguado de bibliografia, nenhuma correria atrás da visibilidade suprem a falta de qualidade de dada poesia. A posição inversa é igualmente verdadeira, a discrição e o apagamento pessoais nada lhe acrescentam. A primeira atitude, porém, faz-me lembrar piruetas num circo. Tudo porque me apetece dizer que, neste caso, se atinge o topo ridículo da autopromoção, quando o autor faz publicar críticas à sua própria obra (as favoráveis) no fim de uma antologia de poemas escolhidos e, ainda por cima, enche a boca, escrevendo que essa antologia determina a fixação da obra, como se tal fixação tivesse a importância que imagina ou secreta e enviesadamente deseja.


27.4.11

Poesia #3



Um poema tende, na sua génese e vontade, ao equilíbrio total. Inclusive quando se opta por linguagens de desequilíbrio, é a sua forma própria de equilíbrio que procuram (aparte desnecessário, mas que convém deixar escrito). Quero dizer, um poema enquanto arte visa o equilíbrio absoluto que não se alcança, porque o absoluto é uma abstracção e não existe. Busca-se essa totalidade definitiva na forma, na estrutura interna, na linguagem, no assunto de que trata. Essa busca de perfeição é que mantém viva a necessidade de escrever, bem como a de o poeta se testemunhar a si mesmo na vida e de buscar a suas coordenadas no mundo. Persegue-se sempre o poema, como Sísifo rola a pedra monte acima.

24.4.11

Poesia #2

Se perguntarem o que queres dizer com o poema x ou com determinada passagem do poema y, tens que explicar com honestidade o que escreveste. Ou que não te perguntem nada, que sejas tu a perguntar aos teus botões. A não ser assim, corres hoje o risco de te considerarem batoteiro e, pior, de concluíres ser gato em vez de lebre aquilo que escreves. A palavra voltou ao seu uso sem equívocos. A poesia hoje dispõe de meios claros para alargar a sua própria significação, sem recorrer ao fatigado, serôdio e suspeito ocultismo do sentido. Já lá vai o tempo dos demiurgos e a escrita automática nunca existiu.

23.4.11

Poesia


Autor, título e técnica mista desconhecidos.

A escrita longa e sem pressa, as palavras que nascem da simbiose entre o pensamento, a tensão contida, a busca estética e, subjacente, a aspiração maior de não haver nada a mais no poema, centros de intenção única. Mas também a vontade de abrangência da vida e do mundo, tão ampla como a visão côncava do Universo, a medida humana.

15.8.10

Conferindo ideias

É notório a todos que os poetas procedem por hipérboles: para Petrarca, ou para Gôngora, todo o cabelo de mulher é ouro e toda a água é cristal; esse mecânico e grosseiro alfabeto de símbolos desvirtua o rigor das palavras e parece fundado na indiferença da observação imperfeita. Dante proíbe esse erro a si mesmo; no seu livro não há uma palavra injustificada.

A precisão que acabo de indicar não é um artifício retórico; é afirmação da probidade, da plenitude com que cada incidente do poema foi imaginado. O mesmo cabe declarar dos traços de índole psicológica, tão admiráveis e ao mesmo tempo tão modestos.

Jorge Luis Borges, in Nueve Ensayos Dantescos, Alianza Editorial, Espanha, 2006, tradutor de serviço.

13.4.10

Da quarentena

Um projecto que me veio de repente à cabeça tem-me afastado do blogue, e os blogues, como o amor, requerem assiduidade e persistência. É certo que tenho feito do Esquerda da Vírgula armazém dos versos que vou escrevendo. Este facto inclui-me na classificação de vate blogueiro, cuja principal característica é mostrar versos próprios a quem passe, antes de, se calhar, impressos em papel. Se a uns move igual atitude, a outros move a atitude oposta. Cada qual manipula o que é seu como quer. No entanto, julgo adivinhar na cabeça de alguns que, havendo carimbos para tudo, também haverá um para gente que dá a ler os seus poemas neste meio. Por mim respondo. A poesia tem a importância que tem e, dentro desta, aquela que a tiver, ou seja, pouca na mesma. Refiro-me, claro, à importância que muitos buscam com a poesia e não àquela que, felizmente, bem mais lhe dão como gozo de criação e de partilha pela leitura.

Tudo isto por causa deste silêncio que dura há cinco dias e do tal projecto que, dadas as suas características, não irei pôr aqui, ficando na gaveta onde, afinal, não tenho nada. Vamos ver o que vai surgindo.

Hoje é este vídeo para maiores de 18 anos. Tem cenas eventualmente chocantes, com 2.500 anos e mais.

27.2.10

Uma conferência há meio século e quatro anos


A propósito da sua recensão no Público acerca do livro O Formato Mulher, de Anna M. Klobucka, baseado na tese de doutoramento da autora, penso que Eduardo Pitta deveria ter referido Jorge de Sena e a sua conferência sobre Florbela Espanca nos Fenianos, Porto, em 1946 (1). Serviria para cotejar ideias com as da novel autora, tanto mais que Eduardo Pitta já citara a dita conferência neste post e portanto sabia dela, muito embora, na brevidade de um só período em que se lhe refere, dê não só uma ideia errada do que Sena proferiu então, mas também não aborde o essencial dessa conferência, que é precisamente o que O Formato Mulher sugere e a recensão confirma.

Entretanto, Eduardo Pitta obteve ontem o Prémio Especial Jornalista ou Imprensa de Edição, na sua qualidade de crítico literário, entre um conjunto de prémios atribuídos pela Revista Ler e pelos consultores Booktailors.

(1) - Ver Estudos de Literatura Portuguesa - II, Jorge de Sena, p. 29 a 45, e nota bibliográfica, p. 313 e 314, Edições 70, 1988.

22.11.09

Risos



Estávamos ambos a almoçar umas bifanas e falávamos obviamente de poesia e de projectos, quando, a propósito dos poemas que aqui pus sobre Pedro e Inês, todos eles em decassílabos, me disse:

─ O meu nome é um decassílabo, veja lá.

E comecei a contar pelos dedos Hen/ri/que/ Ma/nu/el/ Ben/to/ Fi/a/(lho), de facto dez sílabas métricas certinhas, repondi, e ainda por cima um decassílabo heróico, tem acento na sexta tónica. Gargalhada do Henrique Fialho.

E continuámos com a poesia às voltas, até que um de nós disse mais ou menos isto, a propósito da fidelidade com que muitos jovens, nos seus poemas, seguem Joaquim Manuel Magalhães, o patrono do desencanto e patrono de outro patrono, que é para muitos Manuel de Freitas:

─ Fazem poemas devastados, tristes, de uma abulia sem saída, e depois vamos encontrá-los por aí a rir às gargalhadas.

19.10.09

Poesia e Bacalhau à Brás

Bom, Sr. de Máscara e Chicote, então o Brás fica para o bacalhau, com um cheirinho de Glenfiddich (40 anos) a temperá-lo sem (grande) acento, acompanhado por Vat 69 com água lisa del grifo, à temperatura de Agosto. Ligação estupenda. É que eu não sabia o que era Fortinbras, não o ligava a Hamlet, daí que a mão me tenha fugido para um meio português de preto (ou de branco, é o mesmo), digo isto porque, com a minha mania do vernáculo, deveria ter escrito FORTIMBRÁS. Enfim, fiquei a saber que é o seu alter ego, mas do seu nome de baptizo, nicles. Assim é fácil bater.

Devolvido o seu mimo de abertura, leia o que escreveu (em estilo tardo-barroco):

"Há nitidamente poetas que ensaiam o não levar a sério o escrever livros de poesia – o que, sejamos sinceros, é comedidamente hipócrita numa pessoa que se dá ao trabalho de publicar – e outros que não levam mesmo o escrever livros de poesia a sério e que, não sendo hipócritas por publicarem, são, antes, parvos. Hugo Milhanas Machado, com Entre o malandro e o trágico, corre o risco de cair no limbo entre estas duas categorias."

Foi contra este seu leviano e semi-insultuoso arrumar de um poeta bastante jovem, em quem vejo valor e diferença, que me insurgi. Não o tivesse feito, e eu estaria calado, à espera do livro que afirmei claramente não ter lido. Quando se classifica um autor, como acima, e não apenas um livro, tem de se lhe conhecer a obra, e quando se fala de poesia é preciso saber falar dela, não ficar pelo comum das recensões, ainda por cima mal digeridas, e ser-se intelectualmente honesto. Não só não o foi no modo como argumenta em relação à minha reacção, mas também porque já trazia o HMM ferido na asa, numa entrada de Agosto passado, em que demonstra má-vontade para com o criticado e total ignorância acerca da poesia contemporânea espanhola, infelizmente muito mais viva e publicamente partilhada do que a nossa. Escreveu aqui:

"Vukusic, Fanjul, Clark, Martínez, Marqués, Moreno y De Ory: a nova poesia espanhola (ou sérvia ou inglesa) ou sete novos jogadores para o Villareal?
Aparentemente a nova poesia espanhola anda a seguir de perto as tendências da selecção portuguesa relativamente a estrangeiros. Só é pena não naturalizarem também o Hugo Milhanas Machado."

É preciso dizer que HMM nasceu em Lisboa em 1984 e que é professor leitor de Filologia Portuguesa numa universidade de Espanha.

Agora atente no que escrevi, a começar pelo título:

Um poeta e um só livro

Ainda não me chegou o último livro de Hugo Milhanas Machado, Entre o Malandro e o Trágico, que encomendei. Demoras que sucedem a quem vive mais perto da Cervantes do que da Poesia Incompleta ou da Trama. Dirão, por isso, que não posso falar do livro, como não posso, de facto. Mas posso abordar o que conheço da poesia de HMM.

Estou habituado a fintas e rasteiras, porque estou atento a elas. O seu alter ego incha tanto que até se esqueceu de pôr o fundamental para a compreensão do que afirmei na segunda transcrição que faz das minhas palavras:

mais, não toca, nem valoriza, em termos de marca de whisky, algo que é bastante saboroso na sua poesia e que me dirão ter sido já feito por certo modernismo, nomeadamente o concreto e sua deriva lusitana. É um gosto e um gozo seus, e também meus como leitor, a subversão sintáctica da Língua. Consegue ultrapassar a estafada desconstrução pela desconstrução, usando-a para construir a sua linguagem poética em termos consequentes, inteligíveis e honestos.”. E a seguir engoliu o que não lhe convinha: Uma lufada de ar fresco nunca foi uma corrente de ar. Lá irei ao livro depois de me chegar, dando a mão à palmatória se estas características não estiverem em Entre o Malandro e o Trágico.

Mais afirmo que a poesia de Hugo Milhanas Machado é, em tudo, diferente, senão quase oposta ao que escrevo, e este quase fica para a expressão inteligível de assuntos comuns do humano. Não há aqui "companheirismo cego" e "protecção", mas o mesmíssimo entusiasmo de quando descubro poetas jovens, bons e promissores, e HMM não é o primeiro. Não sou crítico de poesia como o Sr. Fortinbras pretende ser, mas gosto de pensar sobre ela.

Tudo o que afirmou, Sr. Fortinbras, cai por terra apenas com uma ligeira brisa. Sei bem e penso o que escrevo. Julgo que devia tentar fazer o mesmo. Já o conheço de outro blogue que estimava e que, vivendo ainda, me cansou. Vai ver que com este está a passar-se o mesmo.

Ah, e sabe uma coisa? Havia nesta cidade um restaurante célebre de um homem célebre por ter esse restaurante. Vinha gente de todo o país, gulosa de gastronomias regionais, que não poucas vezes eram um bluff. Fui lá, se tanto, três espaçadas vezes, e não pus mais os pés nele, desde que o dono, no auge da celebridade, apresentou a ministros a iguaria regional nec plus ultra: sardinhas assadas com pão-de-ló. Dizia que era comida das aldeias, e não mentia. Talvez não soubesse é que provinha dos garimpeiros do volfrâmio. Estavam tão ricos que lhes parecia pouco adequado comerem sardinhas com a velha broa, e que coisa melhor para a substituir que um pão rico? Pão-de-ló com sardinhas portanto. Assim, os seus whiskies. Não se ofenda, mas olhe que o comportamento de mau-gosto é idêntico.

11.9.09

Jorge de Sena



Pousaram enfim as ossadas de Jorge de Sena, já que ele em vida pôde pousar pouco, inclusivamente depois do 25 de Abril, era ministro da Educação Sottomayor Cardia. Sem dúvida que Jorge de Sena ficaria a olhar para muitos que acompanharam os seus ossos durante a cerimónia de hoje. Comover-se-ia, talvez como tantos de nós, com as palavras de Eduardo Lourenço, seu amigo de letras e de exílios. Já não é tanto o poeta que se quis calar e que se invejava por ser grande. Cada vez se vai apercebendo mais a sua importância na poesia portuguesa posterior, desempenhando já hoje um lugar semelhante ao que teve Fernando Pessoa. Não esqueço a sua batalha pela poesia inteligível, com o que fez e obteve fundas inimizades. Mas ganhou, sem ter sabido que ganhava. Ela aí está, de várias maneiras, a poesia que se percebe.

Camões Dirige-se aos seus Contemporâneos


Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos,
os símbolos, e a primazia
nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros, na coragem
de combater, julgar, de penetrar
em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada: que o castigo
será terrível. Não só quando
vossos netos não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda
do que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome. E mesmo será meu,
tido por meu, contado como meu,
até mesmo aquele pouco e miserável
que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos,
Que um vosso esqueleto há-de ser buscado,
para passar por meu. E para os outros ladrões,
Iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo.

Jorge de Sena
 
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